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Change for good.

05/03/2010

Caguei de novo.

È mais ou menos que o penso quando faço algo que jurei jamais fazer novamente. E não faria novamente porque dá primeira vez já tive problemas o suficiente e talvez eu tenha até respirado aliviada enquanto ilusoriamente repetia – “Veja só, há males que vem para o bem. Aprendi a lição, dá próxima vez não farei de novo!”.

Que nada. Depois da próxima vieram muitas outras e sempre a mesma sensação de estar fazendo algo juvenil, mas ainda sim, fazendo.

Ao longo da vida nos permitimos acreditar que ter personalidade é manter-se exatamente do jeito que somos, e atravessar este mundo carregando fé inabalável em nossa pessoa e quando vez ou outra batemos a cara no muro, culpamos o coitado que estava lá há anos, no mesmo caminho, do mesmo jeito, mas nunca nós mesmos.  No fundo você sabe que poderia ter desviado, mas a cabeça está doendo, então você senta, chora e se lamenta durante horas acerca da infelicidade de terem posto o muro no seu caminho, sabe o que é, não é fácil mudar.

É fácil tingir o cabelo após levar um fora ou perder uns quilos após constatar que ficou um pouco gordinha naquele vestido que cobiçou durante meses e por isso nem quis as fotos do tal casamento. É fácil mudar a cor do esmalte ou mudar o caminho para casa. O difícil é aceitar que se todos os seus relacionamentos terminam da mesma forma, talvez algo em você precise mudar. Difícil é aceitar que se sempre muda de emprego porque o tal reconhecimento nunca vem, é você que precisa mudar.

Mudança é palavra que combina com fim de ano, com pé na bunda, com destino. É algo que se deseja, que vez ou outra acontece, mas que na maioria das vezes nos exige tanto que é praticamente impossível conceber. É mais fácil empurrar, jogar ali no cantinho. Assim você não esquece, de vez quando dá uma olhadinha de soslaio, sente uma dorzinha no coração e segue em frente.

Vamos admitir que manter um diálogo consigo mesmo e enxergar que tem feito grandes cagadas, não é das tarefas mais fáceis, e há ainda os que defendem que a tal mudança de dentro para fora, a tal mudança definitiva, não passa de utopia.

Recentemente eu dei de cara com o muro, mesmo sabendo que ele estivera ali durantes anos, só me ocorre que tive lapsos de memória e esqueci o caminho. Tenho vergonha de admitir que ainda estou sentada observando este amontoado de tijolos a minha frente e pensando que pelo menos uma vez na vida, eu poderia não precisar mudar o caminho, mas desejando fortemente não bater a cabeça de novo.

Então estou num impasse. Antes de continuar caminhando, eu preciso aceitar que a culpa foi minha, na maioria das vezes, e mudar. Mudar de dentro para fora. Change for good. Mas como?

Semana que vem eu começo a terapia. :P

Hoje…

02/03/2010

Como se eu já não tivesse coisas o bastante para fazer, decidi criar outro blog. A verdade é que eu precisava criar outro blog.

Para muitos as palavras são apenas palavras, para mim elas funcionam como bálsamo, como algo que me mantém sã ou que apenas me mantém. Como o DocesOuTravessuras é um espaço onde eu não deixo muito de mim, eu precisava deste, para falar sobre nada, para falar sobre tudo, para falar sobre o tempo.

Como sabem, o tempo é cruel. Quando eu tinha vinte anos costumava achar que aos vinte e cinco eu teria uma carreira, moraria sozinha e estaria acompanhada de um belíssimo e amável namorado, hoje estou bem longe desta realidade. Prestes a completar vinte e seis eu me recuso a olhar para frente e fazer projeções sobre o que seriam os trinta. Talvez sejam iguais a estes, talvez sejam melhores, mas acho que vou esperar para ver.

Não que eu não deseje mais sonhar ou fazer planos, mas o farei com certa urgência, para hoje à noite, para amanhã de manhã, para esta semana.

Quando eu olho para trás, percebo quanta coisa eu perdi enquanto olhava para frente. Agora eu quero estar exatamente onde eu deveria estar, aqui e agora.

Mesmo que eu tenho que perder, mesmo que eu tenha que chorar, é exatamente isto que farei.

“Escrever é fácil.
Você começa com uma maiúscula e termina com um ponto final.
No meio, coloca idéias.” (Pablo Neruda)

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